Vivemos em relações entrelaçadas, onde é muito comum misturarmos nosso campo com o campo do outro, nossa vontade com a vontade do outro, nosso querer com o querer do outro.
Desde a infância, e por motivos diversos, somos incentivados a seguir modelos, regras, exemplos que são tidos como certos pela maioria, onde somos forçados a esquecer lentamente a nossa individualidade e adotar a individualidade modelo, ou a individualidade desejada por pessoas ao nosso redor que tem algum poder real ou afetivo sobre nós.
E aos poucos, vamos nos afastando do nosso Ser, da nossa individualidade e vamos aos poucos sendo “seqüestrados” por modelos ou modo de viver que não são nossos e por isso não preenchem os nossos anseios e buscas mais profundos.
Essa maneira de viver, aos poucos, vai nos levando a um vazio, a uma insatisfação que não sabemos de onde vem. De repente olhamos para a nossa vida e vemos aparentemente tudo certo, tudo no lugar, uma vida razoavelmente tranqüila, que deveria nos fazer feliz, porém não somos.
Por quê?
Onde nos perdemos, onde perdemos o contato com nossos sentimentos, nossas emoções autênticas, nosso verdadeiro eu, seja ele calmo, zangado, barulhento, feliz, pensativo, ou como ele quer ser?
A ausência de uma pessoa de si mesma pode ser vista como uma pessoa que foi seqüestrada de si de seu próprio mundo pessoal e, de forma disfarçada ou não, obrigada a viver uma individualidade que não era a sua.
O seqüestro sutil, ou seqüestro subjetivo, acontece da mesma forma que o seqüestro físico, tal como o conhecemos. A pessoa é levada para longe de seu lugar familiar, longe do ambiente que vive e ama, longe dos seus entes queridos, e é submetida ou obrigada a viver de uma forma que não quer, mas sim da forma como o seqüestrador quer. Assim, a situação de sua vida passa a ser de que está vivendo a vontade, anseios e desejos de outra pessoas e nãos os seus.
Isso fatalmente a faz infeliz, por melhor bem tratada que ela seja pelo seqüestrador, mesmo assim ela não é livre, está limitada a viver uma vida que não é a sua, e isso é o mesmo que morrer aos poucos, minar dia a dia o entusiasmo e força de viver.
Trazendo isso para as relações pessoas de nossa vida, podemos fazer uma analogia de que algumas relações que temos também podem estar acontecendo ou ter acontecido mais ou menos dessa forma.
A moça que é obrigada, ou pressionada, a casar com o rapaz escolhido por seus pais, os filhos que são obrigados, ou pressionados, a seguir a carreira ou o caminho que seus pais acham melhor, ou muitas vezes, esse seqüestro é feito por nós mesmos quando nos obrigamos a fazer algo que nos parece certo ou que nos convenceram ser o certo, mas que nosso coração não aprova.
Muitas vezes o seqüestro ocorre causado pelo medo de estar errado ou em troca de afetividade, medo de perder a pessoa que está direcionando nossa vontade. Nesse caso são as emoções que estão causando o seqüestro e o seqüestrador domina a situação pelo estado de fraqueza do seqüestrado que não consegue se livrar dessa dependência, por não saber a saída dessa situação.
O Padre Fábio de Melo em seu livro “Quem me Roubou de Mim” aborda com bastante profundidade este assunto, levando a uma reflexão bastante séria de onde nos perdemos e nos deixamos seqüestrar ou seduzir pela promessa da felicidade, entregando nosso poder pessoal a pessoas de nossas relações. Temos que ser honestos o suficiente para refletir se isto também está ou não acontecendo na contra-mão, ou seja, se estamos ou não mantendo alguém sob nosso controle, muitas vezes, por pura satisfação de nosso ego.
Quem está em si sente-se fortalecido, feliz, tem clareza no pensar e no agir, e além de tudo, assume a responsabilidade pelo seu próprio caminhar. Tem prazer em viver, mesmo que esteja cheio de problemas, sente prazer no ambiente em que vive, ama a si e ama de forma sadia as pessoas de seu convívio. Sabe diferenciar seus pensamentos, opiniões, vontades e desejos dos de outra pessoa. Não sabe o que é depressão e vive plenamente cada momento do seu dia e cada dia da sua vida.
Faça uma reflexão honesta e sincera de sua vida e veja se você não se deixou seqüestrar em algum ponto da sua vida por alguma coisa ou por alguém, e se a resposta for sim, trate de procurar libertar-se, mesmo que isso possa doer um pouco, mas a cura é necessária para que você não seja um doente para o resto da vida.
Só pode ser feliz e viver a vida plenamente que é realmente livre.
Por Tereza - Jornal Mundo Zen
Inspirado no livro : Quem me roubou de mim? - Padre Fábio de Melo.
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